No ano 2000, o salário mínimo valia R$ 151. E, em fevereiro daquele ano, quem se hospedou no Salvador Praia Hotel, durante o Carnaval, em um lugar privilegiado no meio do Circuito Dodô, teve que desembolsar a bagatela de R$ 2.990. Talvez nenhum outro empreendimento denotasse tanto luxo em Salvador quanto o hotel – que ficava na Avenida Oceânica, em Ondina, ao lado do Othon Palace e do Ondina Apart. 

Os 163 apartamentos de frente para o mar fizeram o espaço receber o título de primeiro cinco estrelas do Nordeste, concedido pela Embratur. Mas, há dez anos fechado, o Salvador Praia Hotel definhava aos olhos de quem passava pela Orla. Foi só nesta segunda-feira (13), que, finalmente, sua história ganhou um desfecho – e, para a Orla de Ondina, um novo capítulo. 

Nesta segunda-feira, o prédio onde o hotel funcionou por 35 anos começou a ser demolido em uma solenidade em foi anunciado o novo empreendimento que será erguido no local pela construtora Moura Dubeux: dois condomínios – o Undae Ocean, com duas torres,  e o Beach Class Salvador, com uma.

Os novos empreendimentos envolvem contrapartidas para o município, algumas já previstas no novo Plano Diretor de Desenvolvimento Urbano (PDDU) da cidade e outras demandadas pela Secretaria Municipal de Desenvolvimento e Urbanismo (Sedur). Somadas, as contrapartidas chegam a R$ 2,8 milhões. Entre elas, está a cobrança da outorga onerosa proveniente do aumento do potencial construtivo e pela área de construção. 

Além disso, como se trata de um terreno de 12 mil m² na Orla, a construtora deve garantir uma cota de solidariedade de 5% da área construída. Esse percentual, que equivale a R$ 1 milhão, pode ser doada em habitação de interesse social ou paga ao município no valor venal do terreno. 

"Salvador vem passando por uma grande transformação e a Moura Dubeux vem contribuindo para a melhoria da qualidade de vida da população. Nesse caso específico, teremos a oportunidade de contribuir com a grande requalificação que a prefeitura vem fazendo na Orla", afirmou um dos acionistas da empresa, Gustavo Dubeux. 

 

Elefante branco
Ao longo da última década, o Salvador Praia Hotel se transformou em um ‘elefante branco’ na Orla da cidade. Foi assim que o prefeito ACM Neto, presente na cerimônia, definiu a situação do imóvel – numa situação parecida com a que o antigo Aeroclube estava, alguns anos atrás. Só que, ao contrário do terreno do shopping da Boca do Rio – que dará lugar ao novo Centro de Convenções, que deve ser inaugurado até o fim do ano –, a área do hotel pertencia à construtora. 

 

“Aqui não (podia fazer isso). Essa é uma área particular. A prefeitura tinha que estimular o empresário, demandar do empresário e depois discutir detalhes do projeto. A prefeitura colocou demandas, porque havia um conceito inicial que foi aperfeiçoado pela construtora. Nós mostramos que não era possível fazer um paredão na Orla e que esse investimento privado precisava de contrapartidas”, disse ACM Neto. 

 

As contrapartidas são chamadas pela Moura Dubeux de ‘gentilezas urbanas’. Na prática, 30% do terreno de 12 mil metros quadrados serão destinados ao uso público de três formas: a primeira, na Avenida Oceânica, prevê a implantação de um boulevard de 170 metros de extensão com jardins de mais de 20 espécies de árvores e espelhos d’água. 

O calçadão, que foi ampliado e terá 15 metros de largura, contará com a ciclovia municipal. Além disso, a Rua Roschild Moreira – uma via sem saída que fica na lateral do imóvel – será alargada e contará com um mirante de cinco metros de extensão e acesso à praia. Lá, será implantado piso compartilhado, além de jardins e academias ao ar livre. Por fim, o passeio na beira-mar será revitalizado.

O porteiro Denilton Nascimento, 36 anos, que trabalha na Roschild Moreira, comemora: “Hoje, fica tudo deserto. Com o espaço mais aberto, academia e essas coisas vai ter mais gente caminhando e usando o local, então, vai ficar mais movimentado”.

Já o aposentado Jorge Gurgel, 63, aprovou a ideia de ter um espaço aberto para caminhada e academia de saúde. Ele faz cooper três vezes na semana no local. “É uma ótima ideia ampliar a calçada e construir uma área para ciclismo”.

“Não é comum toda a prefeitura se mobilizar para a apresentação de um projeto privado. Mas estamos aqui exatamente pelo simbolismo que esse investimento tem, pelo impacto que tem em nossa capital", explicou o prefeito ACM Neto.

Enquanto isso, o valor da outorga e da cota de solidariedade serão destinados a projetos de habitação popular, como prevê a legislação municipal. 

 

Obras
A demolição deve durar até seis meses. Logo em seguida, as obras devem ser iniciadas – com previsão de até três anos. Ao todo, serão investidos R$ 250 milhões na construção dos dois condomínios. O Undae Ocean, que é considerado de mais alto padrão, serão duas torres com 17 andares – cada uma com 34 apartamentos, totalizando 68 unidades.

Com dois apartamentos por andar, cada unidade terá 240 m² ou 300 m², com direito a quatro vagas de estacionamento. Com piscina de borda infinita de frente para o mar de Ondina e deck molhado, o condomínio deve oferecer, ainda, espaços como SPA com hidro, salões de festa e academia. 

Já o Beach Class Salvador, com um único edifício de 21 andares, é apontado como um dos mais atraentes para turistas. Com 235 apartamentos – 178 com um quarto variando entre 29 m² e 45m² e outras 57 unidades com dois quartos, com 57 m² ou 67m² –, esse condomínio deve funcionar como um apart-hotel. 

De acordo com o diretor regional da Moura Dubeux, Fernando Amorim, o valor de venda dos apartamentos pode ser calculado a partir do metro quadrado estimado para os condomínios: R$ 8,5 mil. O valor total pode ser parcelado por até quatro anos, incluindo o custo da construção e a taxa de administração. 

“Já começamos a fazer inscrições e a procura foi muito boa. Já temos 50% de pessoas inscritas como interessadas”, adiantou Amorim. 

 CORREÇÃO: Inicialmente, a empresa havia divulgado que o valor do metro quadrado era R$ 4,5 mil, mas nesta terça-feira (14) a informação foi corrigida. O valor correto do metro quadrado é R$ 8,5 mil. 

A Transalvador informou que foi feito um estudo de impacto para a viabilidade no trânsito. O relatório está com a Comissão de Análise de Projetos de Empreendimentos.

Empregos gerados
Após a demolição, a previsão é de que as obras cheguem a gerar mais de 350 empregos diretos.

 

“No final da demolição, vamos abrir a seleção, para não gerar expectativa muito rápida agora. A seleção é imediata, então, assim que terminar a demolição, os funcionários podem se dirigir ao local (ao canteiro)”, explicou o diretor regional da Moura Dubeux, Fernando Amorim. 

Após a construção, cada uma das torres pode empregar entre 15 e 20 funcionários na administração dos condomínios. Esse número pode aumentar no Beach Class, devido aos serviços de hotelaria.  

O secretário municipal de Desenvolvimento Urbano, Sérgio Guanabara, acredita que o lançamento deve gerar emprego e renda para o município. Segundo ele, as negociações entre a prefeitura e a construtora duraram quase um ano. 

“Essa é uma obra qualificadora. Estávamos diante de um empreendimento há quase dez anos fechado, sem serventia alguma e não era compatível com o nível de investimento que a prefeitura vinha realizando na área urbana”, comemorou. 

Já o presidente do Sindicato da Indústria da Construção do Estado da Bahia (Sinduscon-BA), Carlos Henrique Passos, ponderou que, ainda que o lançamento dos dois novos empreendimentos não seja suficiente para suprir as necessidades do setor imobiliário, ajuda a estimular outros empresários. 

 

“É um marco importante, na medida que ele ocupa um espaço que não estava sendo ocupado. Não resolve (todo o problema), mas só vai resolver tendo empreendimento. Isso cria um efeito sinérgico para que outras empresas e outros empreendedores possam também acreditar. Através disso, a gente resolve o problema”,diz Passos. 

 

 

 

Fechado
O Salvador Praia Hotel, enquanto empreendimento hoteleiro, chegou ao fim em março de 2009, depois de enfrentar uma grave crise econômica. O grupo pernambucano Monte Hotéis, que operava o estabelecimento, fechou as portas e demitiu 120 funcionários. 

Em novembro de 2009, a prefeitura desapropriou o hotel, transformando a área em bem de interesse público. O Salvador Praia Hotel estava afundado em dívidas – tanto trabalhistas quanto com a prefeitura (nesse caso, chegava a R$ 25 milhões, sem correção monetária). Pouco depois, o terreno foi vendido à Moura Dubeux. 

No entanto, os projetos foram passando por mudanças devido à aprovação do PDDU, em 2014.  


Thais Borges e Gil Santos

redacao@correio24horas.com.br

Matéria disponível em: https://www.correio24horas.com.br/noticia/nid/novo-empreendimento-em-ondina-tera-imoveis-a-partir-de-r-246-mil/

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15/05/2019 09:43


CORREIO 24 HORAS: Novo empreendimento em Ondina terá imóveis a partir de R$ 246 mil

Haverá unidades com tamanhos de 29 m² a 300 m²

No ano 2000, o salário mínimo valia R$ 151. E, em fevereiro daquele ano, quem se hospedou no Salvador Praia Hotel, durante o Carnaval, em um lugar privilegiado no meio do Circuito Dodô, teve que desembolsar a bagatela de R$ 2.990. Talvez nenhum outro empreendimento denotasse tanto luxo em Salvador quanto o hotel – que ficava na Avenida Oceânica, em Ondina, ao lado do Othon Palace e do Ondina Apart. 

Os 163 apartamentos de frente para o mar fizeram o espaço receber o título de primeiro cinco estrelas do Nordeste, concedido pela Embratur. Mas, há dez anos fechado, o Salvador Praia Hotel definhava aos olhos de quem passava pela Orla. Foi só nesta segunda-feira (13), que, finalmente, sua história ganhou um desfecho – e, para a Orla de Ondina, um novo capítulo. 

Nesta segunda-feira, o prédio onde o hotel funcionou por 35 anos começou a ser demolido em uma solenidade em foi anunciado o novo empreendimento que será erguido no local pela construtora Moura Dubeux: dois condomínios – o Undae Ocean, com duas torres,  e o Beach Class Salvador, com uma.

Os novos empreendimentos envolvem contrapartidas para o município, algumas já previstas no novo Plano Diretor de Desenvolvimento Urbano (PDDU) da cidade e outras demandadas pela Secretaria Municipal de Desenvolvimento e Urbanismo (Sedur). Somadas, as contrapartidas chegam a R$ 2,8 milhões. Entre elas, está a cobrança da outorga onerosa proveniente do aumento do potencial construtivo e pela área de construção. 

Além disso, como se trata de um terreno de 12 mil m² na Orla, a construtora deve garantir uma cota de solidariedade de 5% da área construída. Esse percentual, que equivale a R$ 1 milhão, pode ser doada em habitação de interesse social ou paga ao município no valor venal do terreno. 

"Salvador vem passando por uma grande transformação e a Moura Dubeux vem contribuindo para a melhoria da qualidade de vida da população. Nesse caso específico, teremos a oportunidade de contribuir com a grande requalificação que a prefeitura vem fazendo na Orla", afirmou um dos acionistas da empresa, Gustavo Dubeux. 

 

Elefante branco
Ao longo da última década, o Salvador Praia Hotel se transformou em um ‘elefante branco’ na Orla da cidade. Foi assim que o prefeito ACM Neto, presente na cerimônia, definiu a situação do imóvel – numa situação parecida com a que o antigo Aeroclube estava, alguns anos atrás. Só que, ao contrário do terreno do shopping da Boca do Rio – que dará lugar ao novo Centro de Convenções, que deve ser inaugurado até o fim do ano –, a área do hotel pertencia à construtora. 

 

“Aqui não (podia fazer isso). Essa é uma área particular. A prefeitura tinha que estimular o empresário, demandar do empresário e depois discutir detalhes do projeto. A prefeitura colocou demandas, porque havia um conceito inicial que foi aperfeiçoado pela construtora. Nós mostramos que não era possível fazer um paredão na Orla e que esse investimento privado precisava de contrapartidas”, disse ACM Neto. 

 

As contrapartidas são chamadas pela Moura Dubeux de ‘gentilezas urbanas’. Na prática, 30% do terreno de 12 mil metros quadrados serão destinados ao uso público de três formas: a primeira, na Avenida Oceânica, prevê a implantação de um boulevard de 170 metros de extensão com jardins de mais de 20 espécies de árvores e espelhos d’água. 

O calçadão, que foi ampliado e terá 15 metros de largura, contará com a ciclovia municipal. Além disso, a Rua Roschild Moreira – uma via sem saída que fica na lateral do imóvel – será alargada e contará com um mirante de cinco metros de extensão e acesso à praia. Lá, será implantado piso compartilhado, além de jardins e academias ao ar livre. Por fim, o passeio na beira-mar será revitalizado.

O porteiro Denilton Nascimento, 36 anos, que trabalha na Roschild Moreira, comemora: “Hoje, fica tudo deserto. Com o espaço mais aberto, academia e essas coisas vai ter mais gente caminhando e usando o local, então, vai ficar mais movimentado”.

Já o aposentado Jorge Gurgel, 63, aprovou a ideia de ter um espaço aberto para caminhada e academia de saúde. Ele faz cooper três vezes na semana no local. “É uma ótima ideia ampliar a calçada e construir uma área para ciclismo”.

“Não é comum toda a prefeitura se mobilizar para a apresentação de um projeto privado. Mas estamos aqui exatamente pelo simbolismo que esse investimento tem, pelo impacto que tem em nossa capital", explicou o prefeito ACM Neto.

Enquanto isso, o valor da outorga e da cota de solidariedade serão destinados a projetos de habitação popular, como prevê a legislação municipal. 

 

Obras
A demolição deve durar até seis meses. Logo em seguida, as obras devem ser iniciadas – com previsão de até três anos. Ao todo, serão investidos R$ 250 milhões na construção dos dois condomínios. O Undae Ocean, que é considerado de mais alto padrão, serão duas torres com 17 andares – cada uma com 34 apartamentos, totalizando 68 unidades.

Com dois apartamentos por andar, cada unidade terá 240 m² ou 300 m², com direito a quatro vagas de estacionamento. Com piscina de borda infinita de frente para o mar de Ondina e deck molhado, o condomínio deve oferecer, ainda, espaços como SPA com hidro, salões de festa e academia. 

Já o Beach Class Salvador, com um único edifício de 21 andares, é apontado como um dos mais atraentes para turistas. Com 235 apartamentos – 178 com um quarto variando entre 29 m² e 45m² e outras 57 unidades com dois quartos, com 57 m² ou 67m² –, esse condomínio deve funcionar como um apart-hotel. 

De acordo com o diretor regional da Moura Dubeux, Fernando Amorim, o valor de venda dos apartamentos pode ser calculado a partir do metro quadrado estimado para os condomínios: R$ 8,5 mil. O valor total pode ser parcelado por até quatro anos, incluindo o custo da construção e a taxa de administração. 

“Já começamos a fazer inscrições e a procura foi muito boa. Já temos 50% de pessoas inscritas como interessadas”, adiantou Amorim. 

 CORREÇÃO: Inicialmente, a empresa havia divulgado que o valor do metro quadrado era R$ 4,5 mil, mas nesta terça-feira (14) a informação foi corrigida. O valor correto do metro quadrado é R$ 8,5 mil. 

A Transalvador informou que foi feito um estudo de impacto para a viabilidade no trânsito. O relatório está com a Comissão de Análise de Projetos de Empreendimentos.

Empregos gerados
Após a demolição, a previsão é de que as obras cheguem a gerar mais de 350 empregos diretos.

 

“No final da demolição, vamos abrir a seleção, para não gerar expectativa muito rápida agora. A seleção é imediata, então, assim que terminar a demolição, os funcionários podem se dirigir ao local (ao canteiro)”, explicou o diretor regional da Moura Dubeux, Fernando Amorim. 

Após a construção, cada uma das torres pode empregar entre 15 e 20 funcionários na administração dos condomínios. Esse número pode aumentar no Beach Class, devido aos serviços de hotelaria.  

O secretário municipal de Desenvolvimento Urbano, Sérgio Guanabara, acredita que o lançamento deve gerar emprego e renda para o município. Segundo ele, as negociações entre a prefeitura e a construtora duraram quase um ano. 

“Essa é uma obra qualificadora. Estávamos diante de um empreendimento há quase dez anos fechado, sem serventia alguma e não era compatível com o nível de investimento que a prefeitura vinha realizando na área urbana”, comemorou. 

Já o presidente do Sindicato da Indústria da Construção do Estado da Bahia (Sinduscon-BA), Carlos Henrique Passos, ponderou que, ainda que o lançamento dos dois novos empreendimentos não seja suficiente para suprir as necessidades do setor imobiliário, ajuda a estimular outros empresários. 

 

“É um marco importante, na medida que ele ocupa um espaço que não estava sendo ocupado. Não resolve (todo o problema), mas só vai resolver tendo empreendimento. Isso cria um efeito sinérgico para que outras empresas e outros empreendedores possam também acreditar. Através disso, a gente resolve o problema”,diz Passos. 

 

 

 

Fechado
O Salvador Praia Hotel, enquanto empreendimento hoteleiro, chegou ao fim em março de 2009, depois de enfrentar uma grave crise econômica. O grupo pernambucano Monte Hotéis, que operava o estabelecimento, fechou as portas e demitiu 120 funcionários. 

Em novembro de 2009, a prefeitura desapropriou o hotel, transformando a área em bem de interesse público. O Salvador Praia Hotel estava afundado em dívidas – tanto trabalhistas quanto com a prefeitura (nesse caso, chegava a R$ 25 milhões, sem correção monetária). Pouco depois, o terreno foi vendido à Moura Dubeux. 

No entanto, os projetos foram passando por mudanças devido à aprovação do PDDU, em 2014.  


Thais Borges e Gil Santos

redacao@correio24horas.com.br

Matéria disponível em: https://www.correio24horas.com.br/noticia/nid/novo-empreendimento-em-ondina-tera-imoveis-a-partir-de-r-246-mil/

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